ST 1. O Clima e suas implicações na história
O clima é um dos principais elementos formadores do ambiente terrestre. Os debates sobre a relação entre a história e o ambiente têm, nos últimos anos, enfatizado a importância do clima na formação e na dinâmica das sociedades, atuando de forma positiva ou negativa em diversas situações e contextos na sociedade humana, possibilitando
tanto o desenvolvimento quanto a crise e mesmo o colapso. Percebem-se nestas situações relacionadas ao clima, sejam elas alterações de
longa, média e curta duração ou eventos catastróficos, diferentes modos em que as sociedades lidam com esses eventos, resultando na
criação de alternativas de adaptação ao meio ou no surgimento de fluxos migratórios. Este simpósio temático acolherá pesquisas
históricas que relacionem clima, mudanças climáticas, migrações ou mudanças socioambientais.
ST 2. Agricultura, pecuária e impactos ambientais
A agricultura e a pecuária têm causado impactos ambientais. Ao longo da história o cultivo de commodities como a cana-de-açúcar e o café, assim como a criação de gado para a produção de carne e outros usos, causaram extensas transformações em diversos biomas, especialmente sobre as florestas. A agricultura colonial realizada por imigrantes de origem europeia, iniciada no século XIX, também contribuiu para ampliar estes impactos. No século XX, no continente americano, o avanço das migrações humanas na direção oeste e a conversão de outros cultivos em commodities, como a soja e o milho, coincidiram com intensas mudanças socioambientais. A partir da década de 1970, com a Revolução Verde, apareceram novas dinâmicas no cenário agropecuário, que causaram outros e inéditos impactos ambientais e à saúde humana, como a eutrofização de rios e fontes de água por adubos químicos, a poluição, o envenenamento de agricultores e animais por agrotóxicos e, atualmente, os riscos ainda não elucidados dos alimentos transgênicos. Soma-se a estes problemas recentes a criação intensiva de animais e seus efeitos nocivos, não só aos próprios animais, mas também ao ambiente, pois contaminam as bacias hidrográficas pela excessiva descarga de efluentes das granjas industriais e emitem gases causadores do efeito estufa. Nesse sentido, o presente simpósio temático tem o objetivo de reunir trabalhos que envolvam a relação entre agricultura, pecuária e seus impactos ambientais, frequentemente ligados aos processos migratórios.
ST 3. A flora, a fauna e os humanos em movimento
As migrações humanas, bem como de animais e plantas, tiveram implicações ecológicas desde épocas remotas a períodos mais recentes. Desde a expansão do modelo urbano-industrial e apesar do aumento das sociedades sedentárias em relação às nômades, as trocas comerciais e tecnológicas entre os grupos humanos favoreceram o deslocamento de animais e vegetais cujas espécies já tinham sido domesticadas em épocas anteriores. Algumas dessas migrações resultaram em invasão biológica no ambiente hospedeiro, inclusive com profundas alterações na biodiversidade. Serão bem-vindos trabalhos que contemplem migrações humanas e suas implicações ecológicas, Ecological push e migrações humanas, introdução (in)voluntária de animais e plantas em novos biomas, a invasão biológica de espécies animais e vegetais e sua relação com a biodiversidade.
ST 4. Comunidades tradicionais e unidades de conservação
As populações tradicionais (índios, caboclos, pescadores, coletores...) interagem de formas muito específicas com o meio ambiente. Seu modo de vida e conhecimento foram gerados em longo tempo de convivência com a natureza. A criação de unidades de conservação
(parques, reservas, estações, refúgios ou áreas de proteção) nem sempre respeita e valoriza as práticas socioculturais destas populações. O simpósio temático 4 visa debater estudos sobre a história de populações tradicionais, especialmente sua interação com o ambiente e as relações estabelecidas com outros grupos étnicos, como colonos e imigrantes europeus. Visa também discutir, em uma
perspectiva histórica, o lugar das comunidades tradicionais nos
projetos de criação de novas unidades de conservação ambiental, na
manutenção e gestão das unidades existentes e em experiências de uso
sustentável e compartilhado dos recursos naturais. Inclui pesquisas
que abordam migrações humanas motivadas pela instalação de unidades de
conservação, por conflitos dela decorrentes ou por políticas públicas
voltadas à proteção ambiental.
ST 5. Recursos energéticos
A manutenção da vida humana e a das demais espécies tem evidentes
ligações com a geração, o consumo e a conservação de energia. Gera-se
e consome-se energia para alimentação, aquecimento, refrigeração,
movimentação de máquinas e equipamentos, transporte e iluminação. A sofisticação tecnológica nos permitiu dispor de diferentes fontes e
formas de energia e ampliar seu consumo, mas gerou mudanças
socioambientais profundas. Neste simpósio temático serão bem acolhidas
tanto as pesquisas históricas que tratam de períodos passados quanto
aquelas que analisam o tempo presente e que se dedicam aos seguintes temas: exploração florestal e obtenção de biomassa (lenha), colonização e desmatamento, recursos hídricos e energia (monjolos, moinhos coloniais e hidrelétricas), água e migrações humanas, consumo de combustíveis fósseis e poluição ambiental (carvão, petróleo e gás), conflitos pelo acesso e controle das fontes de energia, repercussões socioambientais de políticas públicas voltadas para o setor
energético, tecnologias limpas e energias renováveis, acesso à terra e
produção de agrocombustíveis, industrialização, urbanização e demanda
energética. O tema envolve ainda estudos históricos sobre os discursos, representações e compreensões elaboradas acerca da utilização de energia de variadas fontes, por sociedades de diferentes lugares e épocas, com ênfase para populações migrantes e os processos
de colonização.
ST 6. Discursos, ideias e percepções sobre o meio ambiente
Além das mudanças econômicas, políticas e culturais que têm implicações na relação entre sociedade e meio ambiente, a História Ambiental tem ampliado o conhecimento dos discursos, ideias e percepções sobre o meio ambiente ao longo dos séculos. Este simpósio temático visa acolher trabalhos que tratam destas elaborações discursivas sobre a natureza ou sobre as mudanças ambientais, especialmente aquelas provocadas pela ação humana, direta ou indiretamente. O debate sobre a influência de concepções religiosas ou científicas e de interesses políticos e/ou econômicos dos discursos elaborados por diferentes atores, bem como as críticas ou defesas elaboradas por eles sobre a relação entre sociedade e meio ambiente, permitem uma melhor compreensão das matrizes históricas dos discursos ambientalistas da atualidade.
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